A Arte do Violão

Programas idealizados e apresentados por Fábio Zanon

Programa XXVI - O Violão no século XXI

Nesta série A Arte do Violão, tentei dar ao ouvinte um retrato daqueles violonistas que contribuíram, com sua inteligência e paixão, para o estabelecimento do violão como instrumento de concerto no séc. XX.

BG Bream
Cada um deles, à sua maneira, criou um universo musical particular e conquistou seu espaço no coração do público. Como poucas exceções, são também os violonistas que pessoalmente gosto de escutar. Mas as pessoas me perguntam: e no séc XXI, quem será o novo Segovia, Barrios ou Julian Bream? Eu não sou muito apto para a profecias, mas acho que, agora, uma figura central deste porte não tem mais lugar. Como disse meu professor, Henrique Pinto, o violão não é mais uma curiosidade ou aberração, ele é um instrumento que tem repertório, músicos bem formados, e um papel a cumprir no cenário musical.

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Isto, eu penso, leva a uma diluição, onde uma figura central dá lugar a um cenário múltiplo, onde cada um pode, à sua maneira, manifestar sua individualidade artística. Ao invés de apontar erroneamente aqueles músicos que podem ou não cair no favor da mídia e da indústria cultural, eu mostrarei um pouco do que eu, particularmente, ouço com admiração e prazer.
Uma tendência que, acho, tende a se fortalecer, é a da música de câmara com violão.

BG LA Guitar Quartet
Por duas razões: o violão, um instrumento delicado e distante, raramente atrai as personalidades comunicadores, um atributo essencial do grande solista. Já um grupo de instrumentos investe uma apresentação com um elemento substitutivo: a interação artística. A outra razão é mais mundana: é mais fácil que 3 ou 4 violonistas trabalhem de forma coordenada para uma carreira, que se fazer isto sozinho.

BG sobe
Dos muitos grupos de violões em atividade no momento, um dos mais impressionantes é o LA Guitar Quartet.

CD LA Guitar Quartet - FX 5
Holst: St Paul´s Suite: Dargason 3´09

[desanúncio e comentário] Uma outra tendência é a do compositor-violonista. O violão naturalmente atrai personalidades introspectivas e rapsódicas, e é apenas natural que estes exploradores queiram basear sua atividade exclusivamente em composições próprias, muitas vezes no limite entre a música clássica, o jazz e a música étnica. Um dos mais tocados e apreciados é Carlo Domeniconi.

CD Kytarovy Festival - FX 15
Domeniconi: Koyunbaba 4o Mov. 4´02

[desanúncio] Isto não quer dizer que o mundo do violão virou um festival de música étnica, porque muita gente ainda tem muito a acrescentar dentro de um formato mais convencional. Na Espanha, onde julgaríamos brotarem violonistas-toureiros a cada esquina, têm surgido uma geração de músicos refinados e de estilo cálido e sutil, influência, talvez, do ensino de David Russell. Uma de minhas preferidas é Margarita Escarpa, uma intérprete de enormes recursos, invariavelmente mantidos sob o controle de uma técnica imaculada.

CD Margarita Escarpa - FX 9
Mompou: suíte Compostelana Prelúdio 3´39

[desanúncio] Um outro intérprete de sumo interesse, de caráter dinâmico e efervescente, mas também com um perfeito acabamento técnico, é Marco Sócias.

CD Elogio de la Guitarra - FX 3
Rodrigo: sonata Giocosa, allegro 3´03

[desanúncio] A Espanha parece produzir bons violonistas aos cântaros, e uma das estréias mais impressionantes dos últimos anos é a de Anabel Montesinos, que se mostra incrivelmente apta para a música do séc. XIX. Ela tem tudo o que este repertório pede: imaginação, elegância de fraseado, capricho nas terminações de frase, técnica límpida e calor humano. E isto com apenas 19 anos.

CD Anabel Montesinos - FX 10
Llobet: Scherzo-Vals 3´48

[desanúncio] Um outro celeiro de grandes violonistas é a Alemanha. Os alemães combinam rigor de preparo com potência, fecundidade, e uma imaginação delirante. Dentre eles, Franz Halasz tem tudo o que gosto de ouvir num violonista: preferência pelas obras primas escritas para o instrumento, virtuosismo a toda prova, e a capacidade de se envolver inteiramente com o universo da música que toca. Vamos ouvir duas facetas de sua arte, primeiramente esta vibrante, arrasadora interpretação de turina;

CD Franz Halasz - FX 1
Turina: Rafaga op.53 2´33

[desanúncio] O outro lado de Halasz é o respeito pela arquitetura da obra e uma escrupulosa leitura dos mínimos detalhes do texto musical, como nesta inptrospectiva gravação de takemitsu.

CD All in Twilight - FX 15
Takemitsu: In the woods, 1st mov Wainscot Pound after Cornelia Foss 2´58

CD Bach - Hoppstock FX 1
Bach - BWV 995 prelude/presto 2´33

CD Nora Buschmann FX 1
Kellner - Phantasia em la menor 2.42

CD Pavel Steidl FX 11
Mertz: Romanze 3´44

CD Asencio FX 15
Asencio: La gaubança 1´53

CD Ana Vidovic FX 1
Bach Prelúdio BWV 1006 3´22

CD Fragments FX 7
Kampela Estudo Percussivo no.1 4´30

CD Stefano Grondona FX 5
Tansman Preludio 3´15

CD Aniello Desiderio FX 10
Dyens: Fuoco: Libra sonatina 3´14

CD Graham Devine
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CD Pablo Márquez FX ?
Milano

CD Pablo Marquez II
Piazzola: compadre 3´00