Programa VIII - Julian Bream I
Uma entrevista feita na Itália. "Mr Bream, o
senhor é alaudista ou violonista?" "Sou alaudista,
violonista e violoncelista"; "O senhor gosta de
estudar?" "Eu devo. Eu adoro. Amo estudar até mais que
tocar". "Entre nós, porque o senhor não tem o título de
Sir? Diga a verdade." "Posso não ser um Sir, entretanto
sou um Commander, comandante da Ordem do Império
Britânico. Ser um comandante de um império que não
existe é uma sensação superior a qualquer outra.
Inefável."
Julian Bream
BG
Considerando sua inquestionável hegemonia econômica, científica e literária, é surpreendente que a Grã-Bretanha não tenha construído, ao longo da história moderna, uma tradição musical de magnitude comparável. No final do século XIX, ela era chamada de "A Ilha sem Música"; apesar de ter uma vibrante atividade musical, a maior parte dos músicos de relevo no país era importada do continente. Com o fim da rica produção musical do período elisabetano, o último compositor britânico de primeiro escalão tinha sido Purcell. Tampouco produziu instrumentistas capazes de criar maiores reverberações. Apesar do violão ter sido por um período considerável um instrumento de moda na Inglaterra, Tarrega chegou a dizer que um bom violonista inglês era uma "contradição em termos", opinião compartilhada por Segovia. Bem, os espanhóis tiveram de engolir suas palavras, pois a figura dominante do violão no pós-guerra seria a do quintessencialmente britânico Julian Bream.
BG
Se Segovia trouxe o violão à maturidade técnica e, na sua perspicaz construção de uma mitologia pessoal e guitarrística, conseguiu conquistar a aceitação do violão como um instrumento de concerto, Bream é responsável pelo amadurecimento musical do instrumento. Ao contrário dos violonistas da geração anterior, seu ponto de partida foi a aquisição de uma vasta cultura musical que moldasse sua concepção de violão; enquanto a geração de Segovia se bastava com o violão e seu fascínio intrínseco, servindo-se da música para mostrar as mágicas qualidades do instrumento, Bream é primordialmente interessado em fazer com que o violão seja parte ativa da vida musical como um todo, um veículo de música de alta qualidade e um ator respeitável na música de câmara. Visto por este viés, um britânico deixa de ser uma exceção, já que, depois da 2a Guerra, o país conseguiu criar uma estrutura para sua vida musical - tanto no campo de ensino quanto no campo empresarial e de logística - que praticamente não tem paralelo em nenhum outro país. Julian Bream é, no violão, o representante do levante da música britânica, que produziu algumas das melhores orquestras e escolas do mundo, vários compositores de primeiro escalão, uma posição de liderança no movimento de música antiga e solistas e regentes de fama mundial. Como conseqüência, um garoto de família modesta e de sotaque caipira conseguiu tornar-se um artista de refinamento sem paralelo, que trouxe o violão à esfera da alta cultura.
Julian Bream - guitar recital
faixas 8 e 9
Turina: Homenaje a Tarrega op.69 - 1956 2.31
2.10
Julian Bream nasceu num subúrbio de Londres em 1933; seu pai era um artista gráfico que tocava jazz nas horas vagas. Teve uma infância austera, marcada pelos bombardeios da blitz na 2a guerra e pela penúria geral da década seguinte. Inicialmente ele também tocou jazz, com palheta, mas ao ouvir um disco de Segovia ele vislumbrou as possibilidades do violão clássico e nunca mais olhou para trás. Desde cedo ele percebeu que, para deixar sua marca com o violão, precisaria ampliar seu conhecimento musical, e estudou também piano e violoncelo, ao mesmo tempo em que tinha aulas de violão com o professor russo Boris Perrot. Foi como cellista que ele conseguiu uma bolsa para estudar no Royal College of Music, que, na época, ainda não tinha o curso de violão (que só seria criado nos anos 60). [história com o diretor e o problema do cockney]. Sua estréia foi aos 14 anos em Cheltenham, num Programa que já mostrava um equilíbrio clássico e um entendimento musical que seriam constantes em toda sua carreira. Compare-se por exemplo uma gravação de Segovia etc.
Andrés Segovia, faixa 11
Sor: Rondo
Julian Bream - guitar recital
faixa 7
Sor: Rondo - Allegretto da sonata op.22 - 1956 4.35
Violão Hector Quine 54
- relação com o pai e sua perseverança na
promoção do filho
- relação com Thomas Goff e o contato com o alaúde.
Começo no teatro e na BBC
- estréia no Wigmore Hall em 1951 e serviço militar
- início da carreira discográfica em 1956
- comentar o equilíbrio da gravação de V-L
Julian Bream - guitar recital
faixa 13
Villa-Lobos: Prelúdio no.1 - 1956 4.22
- Pioneirismo na pesquisa do repertório
de alaúde
- Comentar abordagem do alaúde e voicing em Johnson
The Golden Age of English Lute
Music - faixa 10
Johnson - Carman´s Whistle - 1961 2.38
- Início da relação com compositores.
Perfil
- Perfil dos compositores caros a Bream.
Twentieth Century Guitar I -
faixas 1-3
Berkeley - Sonatina op.51 - 1959 10.36
Violão Hauser II 1957
- Desenvolvimento da carreira
discográfica
- O violão como alaúde e o alaúde como violão
- Comentar Byrd
The Golden Age of
English… - faixas 18 e 19
Byrd - Pavan & My Lord Willoughby´s Welcome Home -
1963 2.28
1.43
- repertório diferente do de Segovia;
- abordagem do repertório barroco
Baroque Guitar - faixa 6
Weiss: Passacaglia - 1965 4.17
Violão Bouchet 1964
- Relação com Britten & Peter
Pears
- Moda da música elisabetana
[fita Bream & Pears]
- Ciclos de canções de Britten, Walton,
etc.
- Comentar Britten
Music for Voice & Guitar -
faixas 3 & 6
Britten: Songs from the Chinese, op.58 - 1963 1.12
The Autumn Wind, Dance song 0.56
- Comentar Walton
- Relação camerística de complementaridade.
Music for voice & Guitar -
faixas 15 & 18
Walton: Anon in Love - 1963 1.49
Lady, when I behold the roses; To couple is a custom
1.18
Violão Robert Bouchet 1960
- primeiras gravações com orquestra
- marco na história do violão. Dificuldades na
gravação
- trio JB, casa no campo
- Comentar Nocturnal.
Music for voice & guitar
Britten: Nocturnal op.70 - 1966 18.33
Violão Rubio 1965
Esta gravação consolidou Bream como o arauto da
música moderna de qualidade para o violão. Sua
reputação internacional atingiu o ápice e ele
freqüentemente dava concertos tocando alaúde na
primeira parte e o violão na segunda. Para a maior
parte do público - agora não só de violonistas - ele
era o intérprete dedicado à música antiga ou à
contemporânea, ao contrário de Segovia e Williams, que
se excediam no repertório romântico. Mal poderiam
imaginar que também no repertório tradicional ele
operaria uma revolução nos anos seguintes. E isto
ouviremos no próximo Programa.

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